Mente crônica

"Temos que engolir tudo isso calados?"

30 de janeiro de 2016

 

Uber ou táxi? Deixem o passageiro escolher

 

por Rivo Simões

 

Costumo dizer que toda generalização é um erro, mas faço questão de deixar registrada aqui a minha experiência na noite de ontem com um Uber e um táxi na cidade do Rio de Janeiro.

 

Indo pra lapa, chamei um carro Uber. O carro estava limpo, novo, com cheiro e música agradáveis. Quando entrei no carro o motorista perguntou: – A temperatura do ar condicionado está boa para você? A música está boa? – Com uma conversa nos limites do que eu me predispus, fomos tranquilos até o final do trajeto. Ao encerrar a corrida, imediatamente o aplicativo do celular me pediu para avaliar o motorista. A avaliação e qualquer possível reclamação ficam nos registros do motorista junto à empresa.

 

Na volta, peguei um táxi. Infelizmente, por falta de opção, a minha avaliação sobre o taxista tem que ser feita neste texto. E se houvesse outra opção, esta teria que ser melhor divulgada, pois o direito à informação é um direito do cidadão. Passo a fazê-la: O carro era velho e estava com mau cheiro. Eu tive que pedir para ligar o ar condicionado. Metros à frente o motorista derrubou um cone que separava as vias e disse: – Pô, o agente de trânsito ainda reclamou, é mole? Ele acha que eu derrubei o cone porque eu quis? – Por todo o trajeto o motorista em ziguezague passava por cima da linha contínua junto ao meio fio e, parecendo estar bêbado, ficava insistentemente perguntando: – Cara chato aquele agente de trânsito, né? – Mais à frente o motorista falou: – Caraca, olha só como aquele táxi ali da frente vai em ziguezague! O cara está trancando todo mundo, parece que está bêbado, como é que o cara trabalha desse jeito, não é não? – Parecia que estava narrando a própria atuação... E ficava incansavelmente comentando sobre o táxi da frente, querendo desviar o foco, como se eu não tivesse percebido que era dele a imprudência na condução do veículo. Por muitas vezes tive vontade de pedi-lo para parar o táxi e descer ali mesmo, mas fui até o final.

 

Aí temos que ouvir notícias como a do dia 28 de janeiro, que taxistas depredaram carros do Uber, tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo. É a punição pela competência? Confesso que ainda não consigo conceber essa inversão de valores. Sem contar os diversos abusos cometidos por muitos, e não todos, taxistas. Escolhem o passageiro pela nacionalidade porque os estrangeiros dão gorjeta. Não fazem trajetos curtos porque lhes rendem menos dinheiro. Cobram preço fechado e extorsivo, o que é vedado por lei, quando percebem que a área não é bem servida de táxi. Além disso, por serem bem representados no poder legislativo, conseguem aprovação de leis que, sem nenhuma razão de ser, acrescem ainda mais o seu lucro, como, por exemplo, a utilização do bagageiro. Daqui a pouco teremos que pagar por abrir a porta, por sentar no banco e por respirar dentro do táxi. Temos que engolir tudo isso calados? A melhor resposta é a ampla e massiva aceitação do serviço prestado pelo Uber, esse sim, essencial porque é bom. Deixem o passageiro escolher.

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