Mente crônica

"não basta ser um absurdo, tem que ser muito grande."

8 de julho de 2015

O futuro num saco de lixo

 

por Rivo Simões

 

Por falta de mantas térmicas no Hospital Municipal de Santa Inês (MA), dois bebês gêmeos, que nasceram prematuros, foram enrolados em sacos de lixo ao serem transferidos para um hospital da capital.

 

Familiares, revoltados, publicaram nas redes sociais uma foto de um dos bebês.

 

Ao assistir a essa reportagem na manhã de hoje, um detalhe me chamou a atenção. Um dos familiares (Oswaldo Júnior) ao conceder entrevista falou: “É um absurdo muito grande! É um protesto que a gente tá fazendo”...

 

Diante de tantos absurdos indiscutivelmente corolários da má gestão pública, não basta ser um absurdo, tem que ser muito grande. A banalização de situações extremas abranda as nossas inquietações, aí temos que perceber o extremo do extremo. Então, perguntas me vêm à mente: - Quantos extremos somos capazes de suportar, de vivenciar? De quantos extremos precisaremos para que o absurdo baste por ser ele mesmo? Será que é um caminho sem volta?

 

Pode ser utopia, mas eu gostaria de viver num Brasil sem absurdos, ou pelo menos sem absurdos muito grandes.

 

Não tiro o mérito de improviso e de criatividade do médico para manter aquecidos os gêmeos, mas vejo o futuro do país num saco de lixo.

 

E você, o que vê?

 

Rivo Simões 

É advogado graduado em direito pelo

Centro de Ensino Universitário do Maranhão

  • Facebook Social Icon
  • Twitter Social Icon
  • Google+ Social Icon
  • Instagram Social Icon

@compostamente

\compostamente