Mente crônica

"Chega um momento em que fica difícil discernir quem é homem e quem é caranguejo, quem é a caça e quem é o caçador."

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Foto: facebook/reprodução

19 de julho de 2015

Caranguejo Overdrive - Crítica de um espectador

 

por Rivo Simões

 

Saí de uma peça do Espaço Sesc Copacabana (RJ) me perguntando por que ela me marcou tanto. Pensei no porquê deste incômodo tão positivo, mas não demorei muito tempo para estabelecer uma relação entre o homem pobre e o caranguejo.

 

Caranguejo Overdrive é a peça que me fez lembrar da minha infância em São Luís do Maranhão, onde meu pai me forçava a ir com ele à feira de rua (CEASA) para que eu pudesse conhecer uma realidade que era distante da que eu vivia dentro de casa: os catadores do lixo. – Está vendo como você é privilegiado? – Dizia ele.

 

Como os caranguejos, os catadores do lixo da feira saíam do buraco escuro e apertado onde moravam para se alimentar dos restos apodrecidos das classes mais favorecidas. Hoje as coisas não são tão diferentes. Num país e num mundo onde a pobreza ainda predomina, aqueles que se alimentam dos restos, do lixo, estão numa posição em que pagam esse preço para alimentar uma minoria opressora que está, indiretamente, se alimentando do lixo que ela mesma produziu.

 

A perspectiva histórica do Brasil – narrada em espanhol por uma das personagens – contextualiza o mundo globalizado e dá à crítica do cenário político brasileiro um toque especial.

 

Chega um momento em que fica difícil discernir quem é homem e quem é caranguejo, quem é a caça e quem é o caçador. O homem e o caranguejo unidos pelo apetite: É nesse momento tão humano que todos se igualam.

 

Caranguejo Overdrive teve a primeira temporada encerrada ontem (18 de julho) e devido ao sucesso será reaberta em agosto.

 

 

Rivo Simões

É advogado graduado em direito pelo

Centro de Ensino Universitário do Maranhão.